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quinta-feira, 1 de março de 2012

Anonimato na Rede! Uma Utopia?





Na série televisiva norte americana Battlestar Galactica (EUA, 2004), a nave espacial Galactica foi a única a sobreviver ao massivo ataque dos cylons porque não estava ligada em rede a todas as outras estruturas espaciais e terrestres.
Odama, era um comandante em pré-reforma que abominava todo o tipo de tecnologias do género e falar-lhe de internet era o mesmo que nada. Simplesmente odiava o conceito.
A internet é a tecnologia que mais rápido evolui. Aliás, o conceito de internet estabilizou, o que muda ou evolui são os protocolos de navegação e de conteúdos. Todos os dias existem novos produtos, novas ferramentas e novos conceitos germinam dando origem a outros tantos. Se pensarmos que o carro foi inventado há mais de 100 anos e que ainda possui a mesma tecnologia (motor de explosão), então percebemos que quando falamos de internet teremos que falar do hoje, do agora sem nunca esquecer o amanhã, isto porque, na internet o passado pouco importa.
Olhar para uma sociedade tecnológica, onde se trabalha, se comunica e ao mesmo tempo se diverte em rede, é olhar para um nicho de mercado único e fácil de analisar. Assim, reunidas estas condições, nasce uma ideia interessante intitulada de Data Mining (Usama Fayyad).
Com o fluxo de informação e conhecimento existente na rede, este algoritmo (Data mining ou prospecção de dados) encontra e desenvolve padrões que ajudam ao desenvolvimento de novos produtos, novas tendências e novos mercados.
Ora, isto só é possível porque, tudo o que fazemos em rede é susceptível de análise. Isto é, toda a informação que pesquisamos, colocamos e retiramos da rede, pode ser analisada sem qualquer consentimento. Somos espiados logo que estejamos “on-line”, aliás, somos monitorizados. O conceito clássico de liberdade individual cai por terra, porque não temos alternativa em aceitar ou declinar qualquer informação que seja pessoal. Quando empresas de marketing ou de comunicação nos abordam na rua ou nos ligam para casa a perguntar qual a nossa intenção de voto ou qual o detergente que usamos, somos livres para dar essa informação ou não. O contrário acontece em rede. É claro que este é o preço por se ser livre em rede. Se podemos piratear os dados dos outros (filmes, livros etc), porque não havemos de ser vítimas de pirataria, aliás, monitorização? Estaremos perante algum novo dilema? Há preço para a liberdade do utilizador? Até os mais puritanos internautas, aqueles que não possuem nada que vá contra os direitos das produtoras, devem conhecer esta realidade. Mas nem tudo é mau. Existem softwares / aplicações que nos colocam a navegar sob anonimato e aí o problema fica resolvido.
Não se percebe se o Data Mining é legal ou ilegal. O que se sabe é que quem detiver os dados do utilizador tem o conhecimento e conhecimento é poder. O mais sinistro é o facto de este conhecimento não estar ao alcance do indivíduo, o que torna a monopolização de dados um perigo para as sociedades tecnológicas.
As empresas que nos servem, criam a tecnologia e nanotecnologia onde em muitos casos se torna suspeita, no entanto, as aplicações por eles criadas levantam murmúrios que afectam directamente a sociedade. Porém, eles só a criam, como é usada já não é preocupação deles.
O comandante Odama não era contra a tecnologia, mas conseguia ver para além dela. As sociedades têm esse importante papel, o reivindicar pela forma como a querem utilizar. E aqui a filosofia ganha um novo nicho de mercado. Estaremos preparados?
Guilherme. L. L. Castanheira

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Há ética na pirataria online.

Em contexto de “pirataria” a internet é uma ferramenta tecnológica que dá acesso a uma base de dados de conteúdos variados. Legalmente, pondera-se restringir o acesso a todos os dados que não estejam em conformidade com os direitos de autor. Ora, todo aquele que constrói conteúdos ou matéria criativa, necessita de um retorno financeiro para continuar a produzir. Esta seria a ideia lógica do artista, do produtor, enfim, do criativo. Já lá vai o tempo em que o artista morria pobre e sem qualquer tipo de reconhecimento. Nesta nova era, o criativo ganha novos contornos mediáticos, isto porque, a arquitectura em rede possibilita a propagação de conteúdos em tempo real.
Não obstante, a rapidez com que o criativo ganha reconhecimento é proporcional à perda do mesmo. É necessária uma máquina publicitária muito poderosa para conseguir rentabilizar ao máximo o poder criativo, para que, deste modo, durante o mediatismo existam ganhos relativos. Todas as produtoras de conteúdos sabem que o consumidor é bastante exigente e, que o tempo de avaliação é agora mais reduzido, isto é, a crítica é feroz e tal como qualquer conteúdo em rede, ela propaga-se - tornando-se viral. As indústrias precisam de pessoas que comprem no escuro. Ter acesso a um filme muito antes da estreia, ou acesso ao novo álbum dos Kings of Leon de forma gratuita prejudica única e exclusivamente a industria que até agora vendia um produto onde não havia direito a devolução.
Para quê pagar por um mau serviço? Quando pagamos 6 euros para ir ao cinema e não gostamos do filme, pela má qualidade, a quem me queixo? Quantos de nós já viram trailers melhores que o próprio filme? O mesmo argumento se aplica a uma enorme extensão de artes criativas. O que está em causa é a qualidade pelo serviço prestado.
Não está em causa o fascínio de ir ao cinema ou da leitura de um livro que acaba por ser melhor ou pior que o esperado. As leis de mercado mudaram. Se antes haviam críticos que guiavam/manipulavam os ideais e nos apresentavam o melhor ou o pior, agora somos todos críticos e todos temos algo a dizer acerca daquilo que queremos consumir, isto porque, tal como os críticos, todos temos acesso em primeira mão à obra de arte.
O que defendo, e parece contrário ao que foi supra referido, é que os criativos/criadores, ao contrário do que se diz, só têm a ganhar com a massificação do seu trabalho. Os projectos de lei dos E.U.A (Sopa) e na U.E (Acta) têm um lado perverso, porque protegem as pessoas erradas, ou seja, as industrias que até agora enganavam as pessoas com produtos de marketing abusivos que põem em causa a inteligência de muita gente.
Se ficamos chocados com a mansão de Kim Dotcom (dono do megaupload) porque não havemos de ficar chocados com as mansões de produtores, agentes e supostamente artistas? Ninguém processou empresas de fotocopiadoras só porque foram responsáveis pela tecnologia que permitiu a cópia de conteúdos.
É eticamente correcto fazer todo o tipo de download, seja de livros académicos ou de filmes do século passado. Se este argumento for o responsável pelo encerramento de estúdios e produtoras de conhecimento / conteúdos também não perdemos nada, aliás, a verdadeira cultura só sai a ganhar e por conseguinte as pessoas também, dado que, a qualidade só aumenta exponencialmente.


Guilherme L. Leitão Castanheira