Mostrar mensagens com a etiqueta Teologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teologia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 20 de março de 2008

St. Pachomius Library


Tem as obras todas da Igreja Ortodoxa, desde os padres do deserto até aos nossos dias. AQUI

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

O amor visto por um amante - Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI, na sua primeira Encíclica, decide escrever sobre o amor, uma vez que actualmente tem-se usado Deus como um subterfúgio para tornar guerras legítimas. Ora, uma guerra está diametralmente oposta ao amor. Os israelitas, na oração em torno da qual gira a sua vida quotidiana repetem: «Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças». Jesus veio completar este mandamento com o do amor ao próximo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Bento XVI, inicia a Encíclica referindo que hodiernamente há uma confusão no significado da palavra amor, ao mesmo tempo, a palavra "amor" foi-se banalizando cada vez mais: "fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus." No entanto, nestas utilizações da palavra amor ressalta a que se refere a amor entre o homem e a mulher, chegando mesmo este tipo de amor a "ofuscar" os outros, como refere Bento XVI. Mas isto leva a que nos questionemos se há somente o amor, que depois se diferencia em várias formas, ou se estas várias formas de relações se referem a realidades diferentes. No grego distinguem-se sobretudo dois tipos de amor: o "eros" e o "agape". O "eros" está relacionado com o amor entre o homem e a mulher, é o amor do inebriamento, da "loucura divina", dos rituais de fecundidade nos templos, que não depende da vontade nem da razão, que de algum modo se impõe ao homem; o "agape" é o amor firmado na fé, oblativo... Uma questão se coloca: será que este último tipo de amor, próprio do cristianismo, é, no limite, praticável? Bento XVI, refere que as duas formas de amor estão interrelacionadas, o amor começa por ser "eros", isto é, caracterizar-se-ia pelo amor ascendente, ambicioso e possessivo, depois passa a ser amor "agape", colocando a tónica no outro, mais preocupado em dar: "Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará «existir para» o outro." Se o amor é somente "eros" acabará por decair, mas também não pode ser somente "agape", pois o homem além de dar também precisa de receber.
Na Bíblia, é no Cântico dos Cânticos, que através de metáforas eróticas, é demonstrada a relação entre Deus e os israelitas. Deus ama pessoalmente cada um: “O eros de Deus pelo homem (…) é ao mesmo tempo totalmente ágape”.