quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Fórum "Ética e Código Deontológico/Jurisdição no contexto dos Cuidados de Saúde"

-15 de Fevereiro 2008 -
FÓRUM
"Ética e Código Deontológico/ Jurisdição no contexto dos Cuidados de Saúde"
Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI Covilhã - 15/02/2008 - 09:30 HorasDestinatários:
Profissionais de Saúde e Alunos das Áreas de SaúdePrelectores:
Ética: Vasco Pinto de Magalhães, SJ
Código Deontológico e Jurisdição: Representantes das Ordens dos Médicos e Enfermeiros/Representantes da Sub-região de Saúde de Castelo Branco
Inscrições Gratuitas
Contactar: D. Lurdes Dinis
Telefone: 275 320650 Extensão:220
Centro de Saúde da Covilhã
Entrada livre para os Alunos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

HISTÓRIA E FILOSOFIA DA MATEMÁTICA NA UBI


A disciplina de História e Filosofia da Matemática (HFM) na UBI é uma disciplina na tradição analítica da filosofia que, grosso modo, se distingue por desejar expressar pensamentos de forma clara, rigorosa e logicamente disciplinada. Em particular, nesta disciplina estabelece-se um continuum entre a filosofia e a matemática/ciência onde episódios da história da matemática/ciência são usados como uma fonte de levantamento de problemas filosóficos.

Em HFM são analisadas questões como as seguintes. Qual é a natureza do conhecimento matemático? A matemática é redutível a princípios lógicos? As demonstrações matemáticas são todas igualmente válidas? Será a matemática uma mera manipulação de símbolos, sob determinadas regras, semelhante a um jogo? Será que existem objectos matemáticos abstractos ou, na verdade, alegados objectos matemáticos são meros objectos ficcionais das teorias matemáticas tal como o Pai Natal é um objecto ficcional das histórias infantis? A matemática é indispensável nas teorias empíricas?

A disciplina de HFM é uma disciplina dos cursos de Matemática (3º ano) e Ensino da Matemática (4º ano).
Todos os alunos do curso de Filosofia que desejem frequentar, assistir ou participar nesta disciplina serão bem-vindos.
.
Mais informações, http://ecastro.com.sapo.pt

O Docente
Eduardo Castro

Epicuro - Carta sobre a Felicidade

A -Padrões do Conhecimento Editora, acaba de lançar uma edição da obra: "Carta sobre a Felicidade ou a conduta humana para a saúde do espírito", do Filósofo Epicuro.
A tradução é de Adalberto Alves.
O livro contém uma pequena biografia de Epicuro, introdução do tradutor, Carta sobre a felicidade e citações / pensamentos.

Encomendar [FNAC]

domingo, 10 de fevereiro de 2008

DEFESA DO ENSINO ARTÍSTICO EM PORTUGAL


ANTÍGONA de Sófocles

A profundidade de Sófocles a analisar problemas como a fractura entre a lei natural e a lei do estado. A contradição entre a Justiça e a Lei, a tirania que se serve de decretos casuísticos para fundamentar e apoiar a sua “vontade de poder” e a desobediência de quem se torna intolerante perante o domínio do arbitrário transformado em lei, fazem de Antígona o texto mais exemplar e duradouro da tragédia grega. Depois de um enorme percurso sobre as Antígonas da dramaturgia universal A BARRACA fixou-se no texto luminoso de Sófocles.
O espectáculo está classificado para M/12 e estará em cena a partir de 2 de Fevereiro.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Estupor. João Lemos aluno da Licenciatura de Filosofia da UBI lança livro

"Otto está amarrado à cadeira do projector de memórias, com os quatro médicos criminais em seu redor, envergando o fato com que veio ao mundo e com um estranho capacete metálico pejado pela sua cabeça, com um sem fim de fios a brotar da superfície oval, como se fosse Primavera para o cobre. Todos os fios vão convergir numa consola, atrás da cadeira, que por sua vez está ligada a um projector que desenha numa enorme tela, do tamanho de uma parede, em frente da cadeira, um banho de estática. Na consola, várias luzinhas cerram a escuridão que cobre a sala e lá vivem alegremente acompanhadas por pequenos botões. "
Mais informações, brevemente..

O capitalismo e o marxismo


O capitalismo manifesta-se como forma de bem-estar, de consumismo, e nas formas mais degeneradas, de hedonismo.
O marxismo, manifesta-se sobretudo sob a forma de domínio ideológico e político.
Não se pode dizer que o bem-estar e o hedonismo sejam concebidos como modelos de vida. O processo de desumanização aparece quando o hedonismo é entendido como ideal de vida, como razão da existência.
No contexto do capitalismo, é importante individualizar quais são os ideais de vida. Quando tais ideais são tão terrenos que nos levam a seguir só o imediato.
Quando o ideal é constituído por bens materiais, todo o sector vocacional fica em crise, mesmo se não se negasse explicitamente a existência de Deus. É necessário empenhar-se para a destruição destes pseudo valores e destes ídolos.
Isto pode ser feito por pessoas que tenham uma vocação, que amadureceram a sua escolha de vida, fora das manipulações culturais e no contexto de uma autêntica relação com Deus. Deus é vivido e pensado a partir de uma certa experiência com a natureza; Deus é identificado com a natureza. Por exemplo. Identificam-se os trovões como Deus a ralhar, Deus quer castigar. São imagens falsas de Deus, imagens supersticiosas e míticas da religião.
O ter, o poder, o gozar permanecem enter as realidades do mundo. Nos momentos mais difíceis, recorrem a Deus.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Rev. Tom Honey: How could God have allowed the tsunami?

Aristóteles entre os árabes

À semelhança do que aconteceu no seio da igreja, a partir da Metafísica de Aristóteles, os pensadores árabes heterodoxos extraíram a teoria da eternidade da matéria e a negação de todos os atributos humanos do Deus do Corão. Outros pensadores tentaram conciliar a doutrina da criação com a doutrina da ausência de atributos em Deus. Deus não pode ter criado sem o querer. Como superar então esta dificuldade? Através da teoria que concebe os atributos como existindo sem um substrato. Desta forma a vontade pode existir sem um substrato e esta é a vontade pela qual Deus cria.Alguns pensadores árabes sustentaram, a partir das doutrinas aristotélicas, em oposição ao fatalismo do Corão, que a providência de Deus abarca somente os universais, não o acidental nem o singular. Mas, segundo os ensinamentos do gnosticismo e do neoplatonismo, pelos quais foram também influenciados, defendem a existência de mundos intermédios que são os responsáveis pelas acções do singular e do individual, que serão posteriormente objecto de condenação pelo Bispo Etienne Tempier.Outra problemática que preocupou os árabes foi a questão do conhecimento. Como é que o intelecto, que é imaterial, pensa o material? Onde é que reside o vinculo entre as duas dimensões? Aristóteles coloca-o no intelecto agente. Ele refere que o intelecto se adapta a todas as coisas. O intelecto agente está sempre activo; está eternamente activo; não há momentos em que pense e outros em que não pense. Ele é imortal e eterno. O intelecto agente não se deixa afectar pelo objecto. O intelecto paciente ou passivo é receptivo, perecível e não consegue pensar nada sem a ajuda do intelecto agente.[1]Os filósofos árabes em seguida encarregaram-se de explicar a existência deste misterioso intelecto agente. Encontraram a solução num escrito apócrifo de Aristóteles (que designavam de Teologia, que mais não era do que uma obra de Plotino). Nesta obra leram como Deus, ao contemplar a sua absoluta e verdadeira unidade, formou a Primeira Inteligência.[2] Esta é a primeira de uma série de inteligências da qual é, finalmente, derivado o intelecto agente de que fala Aristóteles. A maneira como as inteligências procedem umas das outras é, mais ou menos, desta forma: há nove esferas celestiais.[3] A Alma é o princípio do seu movimento. Esse movimento é circular e pressupõe uma finalidade particular, que implica desejo.[4] O objecto de desejo é a Primeira Inteligência. Mas a diferença no movimento deve-se à diferença do desejo. Por conseguinte, cada esfera deve ter, além da Primeira Inteligência, uma inteligência inferior para regular o seu movimento. Existem, portanto, nove outras inteligências emanadas da Primeira Inteligência. São conhecidas como inteligências separadas[5], que os teólogos, numa tentativa de conciliar a doutrina aristotélica com a ortodoxia cristã, traduziram por “anjos”.A mais inferior dessas inteligências separadas, que preside ao movimento da esfera mais próxima de nós, a Lua, é o intelecto agente, por cuja influência o intelecto passivo ou paciente dentro de nós se torna activo e se torna intelecto em acto. Quando ele se torna acto é designado de Intelecto Emanado ou Adquirido. Atingir este estado é a finalidade de todo o esforço para alcançar a perfeição.Desta forma, os filósofos árabes circunscreveram o intelecto agente num local e deram-lhe um nome. Este intelecto agente, que eles concebem como o intelecto único de toda a humanidade, é onde todos os outros estão imersos.A alma, afirma Averrois, “não está dividida segundo o número dos indivíduos; é a única e a mesma em Sócrates e em Platão: o intelecto não possui individualidade; a individuação procede da sensibilidade”.[6] Será que Averrois ou qualquer outro filósofo árabe queria dizer que este intelecto agente era uma “humanidade permanente e viva”?[7]O intelecto agente parece ser algo afastado da humanidade, uma criação distinta, à qual uns poucos favorecidos podem chegar.Cremos que tem cabimento aqui expor em traços gerais o pensamento de Averrois, uma vez que foi o filósofo árabe mais influente na escolástica, que deu origem ao chamado averroismo. O amor de Averrois à filosofia é uma espécie de religião. “A única religião para os filósofos é fazer um profundo estudo de tudo o que existe; portanto, não podemos prestar um culto maior a Deus do que conhecer as Suas obras, que provocam conhecer-Lo em toda a Sua realidade”.[8]A admiração deste pensador árabe por Aristóteles não conhecia limites: “Este homem tem sido a regra da Natureza e um modelo no qual ela procura expressar o tipo da perfeição última”.[9]Ele fez epítomes de Aristóteles, ele parafraseou Aristóteles; ele comentou Aristóteles. Estas três operações ficaram conhecidas como os seus três comentários. Averrois era designado pelos escolásticos ocidentais de Comentador. São Tomás de Aquino aprendeu e seguiu o seu método. Tal como Averrois, Tomás de Aquino não conhecia a língua de Aristóteles, mas ele socorreu-se do irmão William de Moerbeke, como já referimos atrás, para elaborar traduções directas do grego.Durante cerca de dois séculos o grande Comentador continua a ofuscar os escolásticos. Ele é citado, comentado e refutado. Através dele todos os erros da filosofia árabe passaram para dentro da Igreja, e juntamente com os de Aristóteles, produziram inúmeras disputas e doutrinas incompatíveis com a fé cristã.
[1]Cf. ARISTÓTELES, De Anima, III. v. 2.
[2] Cf. Theologia Ægyptior., lib. XIII. cap. VII.
[3] Cf. ARISTÓTELES, Metafisica, XII. cap. 7, 8.
[4] Cf. ARISTÓTELES, De Caelo, II. XII. 3.
[5] Vd. AQUINO, Tomás, De Substantiis Separatis, cap. II, xvi. p. 184.
[6] Vide RENAN, Averrois et l’Averroisme, p. 155.
[7] “ Une humanité vivante et permanente, tel semble donc être le sens de la théorie averoïstique de 1'unité de 1'intellect”. (Renan, loc. cit., p. 138).
[8] MUNK, Melanges, p. 456
[9] AVERROIS, Comment., De Anima, 1. iii.


.
Patricia Calvário - Antiga Aluna de Licenciatura da UBI. Mestranda de F. Medieval UP