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sábado, 22 de dezembro de 2007

Putin - Silva - AAUBI e um 2007
















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Se o Sr. Putin é a personalidade do ano (segundo a revista TIME), então o Dr. Santos Silva – Reitor da UBI é também ele a personalidade do ano (segundo o Sexto – Empírico). Ora, as diferenças entre eles são relativamente parecidas. Convém lembrar que tanto Putin como Santos Silva, sabem que o conceito de “transparência”, “legalidade” e “justiça” são meramente uma referencia que não interessa explorar para conseguir desempenhar o sonho de uma construção mono-polizada de uma nação. Putin “revolucionou” a Rússia, Santos Silva “revolucionou” a UBI. Mas que podem ter estas “revoluções” em comum? A limitação dos intervenientes, e a condicionante da acção, tanto russos como ubianos fogem da sua nação. Estas “potencias” têm o lobby da comunicação e de interesses económicos (a Rússia tem o gás, a UBI tem a medicina e não só) que estão enraizados nesta cultura. Será que é o frio que forma este tipo de politicas?
Se tivermos que escolher o lado positivo de 2007 e ou negativo da UBI é fácil, aliás, é tão fácil e óbvio que não merece tal ilustração.
Positivamente, encontramos o Departamento Têxtil, onde a directora da licenciatura de Design de moda, Drª Luísa Salvado, não revolucionou, mas renovou de forma serena e profissional todo o conceito académico e inovador do curso. Lembrem-se que a Covilhã é ainda a terra de vestuário, e esta área estava muito esquecida. Departamento de Comunicação e Artes, onde o curso de Filosofia, e seu Director, Professor José Rosa, assumiu uma nova e conceptual racionalidade. Com a decadência internacional de vocações filosóficas, a UBI apostou em 20 vagas para o contingente normal e preencheu-as, dando assim uma normal vontade de afirmação para os estudantes que possui e aceitando o facto de acolher e trabalhar honestamente com o que tem. É esta sinergia, e ambição que merece destaque. Sabendo que ao possuir um numero reduzido de docentes, só fazia sentido ter um numero de vagas que fosse ao encontro do tal profissionalismo já referido. Isto é honestidade, sinceridade e vontade. Outras Licenciaturas deveriam seguir o mesmo exemplo.
Associação Académica da UBI, o eterno problema e que tantas especulações produz. Nestas ultimas eleições, duas personalidades. Um trabalhador estudante e um estudante. O primeiro, não apresentava propostas dignas de um rapaz que conhecia a UBI e os seus problemas, o segundo, esse tem uma imagem engraçada, mas que também não vai ao encontro das necessidades puras e estruturais da UBI nem de encontro aos vícios, diz ele que quer arrumar a casa. Logicamente, podemos tirar duas conclusões a priori : ou a AAUBI é rentável (para um trabalhador estudante se candidatar) ou existe uma AAUBI como organizadora de eventos, assim já é possível o tal mediatismo que o actual eleito presidente procurava. Ora, engane-se aquele que pensa que é com festas mediáticas ou sensacionalistas que os estudantes vão acreditar na tal imagem académica da AAUBI. Não passa tudo de uma imagem. Das duas uma, ou trabalhamos para os ubianos, ou trabalhamos para os de fora. É necessário uma reforma muitíssimo profunda para resolver definitivamente os problemas da casa azul, todos sabemos quais são. Este presidente vai ter muitas coisas a seu favor, mas também vai ter algumas contra, tudo depende do rumo que tomar. Ou é um líder, ou é um representante, ou é a luz ou é a sombra de alguém, tudo depende do rumo. A AAUBI tem que se habituar que é e deve ser um órgão independente de toda a Universidade e organismos políticos. Porque quando acabar o mandato, voltará tudo ao mesmo, e afinal os verdadeiros problemas não foram resolvidos.
Ainda bem que há rumo.


Guilherme L. L. Castanheira - Presidente - Sexto Empírico

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Porquê a Licenciatura de Filosofia na UBI?

Escrevia eu assim num teste no meu 11ª ano, enquanto que, os meus colegas torneavam constantemente a cabeça à procura de uma resposta, fosse ela barata, ou cara, como se de preço algo se tratasse.
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Escrevia eu assim: -Porque lhe tenho eu de escrever qualquer coisa?
-Nesse dia, nesse teste desenhei então um cão que ladrava. Há noite, há hora de jantar, bem há sobremesa. Resolvi contar tal episódio à minha pobre diva mãe. Ela, nada disse. Nem pestanejou. Irado comigo mesmo, fugi de casa. Durante, 40 dias.
O cão que ladrava, os meus colegas que torneavam, e a minha mãe, seguiram-me sempre, persistentes, mesmo por entre os caminhos mais inóspitos ao próprio absurdo. Senti meses de frio. E sempre que julgava estar sozinho, um colega me dizia: David me ensina, o cão me ladrava, David sê tu o ensinado, e minha mãe: David sê tu quem aprende. Realmente, nunca estava sozinho! Mesmo quando, decadente, a mim mesmo me perguntei; Porquê, Filosofia!? O cão ladrou,
- Não ladres-
Os meus colegas me disseram, - Nada digas -
.A minha mãe me aconselhou, - Não aconselhes -
Eu disse a mim mesmo,
- Vai... -
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David Santos, Aluno do 1º ano de Filosofia - Universidade da Beira Interior 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

EU "treaty" is really a constitution that is "impenetrable for the public"

The new EU Reform Treaty is effectively the same as the constitution it was designed to replace, according to a leading architect of the constitution.
The treaty differs from the abandoned constitution in “approach rather than content”, says former French President Valery Giscard d’Estaing.
Mr Giscard d’Estaing led a committee drafting the constitution, rejected by French and Dutch voters in 2004.



quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Por que se espera?!


Certo dia na associação de jornalistas e Homens de Letras do Porto, assisti a brilhante palestra de António Lopes Ribeiro, famoso Cineasta, que manteve, na TV, o “Museu do Cinema”, programa que o povo não esqueceu e lembra com saudade.
Ora o conferencista, na habitual à vontade que lhe era peculiar, defendeu a tese que o cinema não é responsável pelo mal que corrói o mundo, mas pacifico espelho da sociedade.
Que me desculpe o célebre realizador de cinema, vir, agora, discordar do seu parecer; para mim, foi e é o principal responsável pela mudança de comportamentos; e não está só, acompanha-o a imprensa, a TV e a tão desejada Internet.
Sacerdote brigantino, à saída da sala de cinema, confessou, após assistir a filme que narrava a vida de Cristo: - “O actor que interpreta Jesus, evangeliza mais que punhado de missionários…”
Tinha razão: actrizes, figuras públicas, desportistas, escritores, não olvidando os jornalistas, ao declararem que seu trabalho é o espelho da sociedade, enganam-se ou enganam: a sociedade é o reflexo de seus pareceres.
É lugar comum asseverar: a violência domina o mundo; e o mundo, para nós, é a nossa cidade, as ruas onde nossas esposas e filhos caminham. Artérias onde corre sangue inocente.
Durante décadas os povos andaram a ser manipulados. A TV e o cinema injectaram a peçonha da desmoralização, divulgando comportamentos reprováveis e cenas indecorosas, inflamando desejos e viciando adolescentes.
A imprensa, a TV, conscientemente, plasmaram a índole dos leitores e ouvintes: mudaram-lhes valores, ao opinarem conceitos e condutas. São, no entanto, as “novelas”, no nosso tempo, igualmente responsáveis, porque analisam posturas ignominiosas, que à força de serem vistas, tornaram-se de chocantes, normais.
O que era ruim parece agora bom; o que se reprovava, tolera-se e até aprova-se. Nunca ouviram a expressão: “Anda no ar…”; é que pensamentos bons e maus, borboleteiam como ondas no ar, e as mentes captam e guardam.
Esse tem sido, em regra, o trabalho da media: vulgarizar o mal e a promiscuidade da sociedade.
A liberdade sexual apresentada em rebuço, “nas novelas”, sem aprovação, leva muito a perguntarem-se: Por que não fazer o mesmo?
Assim se desagrega e corrompe-se a família, aguçam-se apetites… e alimenta-se a precisão de preservativos e a malfadada interrupção da gravidez.
Desse jeito endurecem-se os corações, perde-se o respeito, a honra, a dignidade, os valores, e esbatem-se as fronteiras do bem e do mal.
Surge, então, a violência, a corrupção… a impunidade –“Se todos fazem… Porque não eu?! – interrogam-se.
Perguntai-me: Por que os meios de comunicação – mesmo os que mergulham em raízes cristãs, – agem assim?! Eu vos direi:
É a cobiça: a cobiça do dinheiro, da fama, do poder. Transmite-se o que o apetite quer, o que dá audiência, e não o que a sociedade precisa, e deste jeito a Nação queima-se em concupiscência.
Não sabem os responsáveis da TV, que a “novela”, em muitos lares, é a primeira fonte de cultura e tema de conversa?!
Desconhecem que é pela postura das personagens que os jovens pautam a conduta?! E que as figuras publicas são responsáveis pelo muito desconcerto que crassa pelo Pais?!
Se sabem, por que não mudam?! Se ignoram, há ainda tempo de se emendarem, para não serem culpados do mal que está acontecendo aos nossos filhos, e pela degradação da Pátria.
Brinca-se com as labaredas do erotismo. Inflama-se de torpezas os corações juvenis e das cinzas voam as faúlhas da violência, do crime e da morte.
Se houvesse chama de Amor, de fraternidade, a paz urbana regressaria. Voltariam as nossas crianças a brincar despreocupadamente; cairiam as grades das nossas janelas; e as expressões de medo apagar-se-iam.
A paz dos bons velhos tempos estampar-se-ia, de novo, nas faces dos idosos e os olhos das crianças tornar-se-iam a rir.
A felicidade do povo depende dos mas - media, das figuras publicas, dos políticos e de todos nós… por que se espera?! Que se tange a fogo depois da Nação se queimar de imundices?!
Humberto Silva

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Editorial controverso sobre o caso Dr. Watson

A propósito das afirmações de James Watson sobre a menor inteligência dos africanos (relativamente aos “brancos”), José Manuel Fernandes, em Editorial do Jornal Público, proferiu um conjunto de afirmações que não podem deixar de suscitar vigorosa reacção.

Começa o autor por afirmar que uma conferência de James Watson foi cancelada por delito de opinião. Ora, é muitíssimo disputável que esta afirmação seja verdadeira. Sucedeu simplesmente que o Museu de Ciência de Londres considerou que o teor racista das afirmações que James Watson prestou a um jornal tornou inoportuna a presença do investigador. Imagino mil razões idóneas para esta decisão, mas José Manuel Fernandes apenas viu uma: delito de opinião. Será responsável, no editorial de um jornal que não é populista, suspeitar e acusar instituições tão credenciadas de terem o delito de opinião como critério de cancelamento de conferências? O editorial já foi publicado há mais de uma semana, mas o editorialista não se sentiu obrigado a responder a esta pergunta. E não deixa de ser curioso que, no tempo que foi passando, nenhuma carta ao director de protesto ou crítica tenha sido publicada. Pelo contrário, mais do mesmo foi aparecendo no espaço reservado aos leitores.

José Manuel Fernandes afirma também, apoiando-se em artigo da colunista Sue Blackmore disponível on line, que “a hipótese de Watson (…) tem ocupado muitos cientistas”. Pergunto eu: Tem? O que entende JMF por muitos cientistas? Quais cientistas? E adiante, em tom algo sentencioso, afirma ainda: “goste-se ou não, os estudos existentes são demasiado controversos para se ter a arrogância de, em nome do politicamente correcto, afastar de vez essa hipótese”. Insisto na pergunta: que estudos tão controversos conhece? Ou quem conhece que os conheça? O admirável subentendido do raciocínio de José Manuel Fernandes é simples – parece que anda aí uma controvérsia a ser silenciada por uma força avessa à ciência chamada pensamento politicamente correcto!

Chegados aqui há que dizer que o facto das afirmações do dr. Watson serem controversas não é suficiente para que o assunto sobre o qual elas versam seja controverso. Por outro lado, afirmações politicamente incorrectas, tanto quanto as politicamente correctas, são irrelevantes do ponto de vista científico. A instituição científica não é, para nosso bem, tão vulnerável como parece fazer crer José Manuel Fernandes.

Finalmente – o pior ficou mesmo para o fim – afirma que “conhecer melhor eventuais diferenças nas aptidões dos grupos humanos poderia, por exemplo, ajudar a melhorar o sistema de ensino.” Isto merecia exemplos só para ver se entendi bem. Entretanto vou imaginando um: imaginemos que se descobre que as mulheres são realmente mais inteligentes que os homens. Que sugere José Manuel Fernandes, Sue Blackmore e os presumíveis cientistas silenciados? Escolas separadas? Ensino especial? Diferenciações ponderadas com base no património genético de cada qual? É sempre bom medir as consequências das nossas ideias antes de as exprimirmos, sobretudo quando o meio de expressão é o editorial do Público e quando o público leitor é realmente dotado de alguma sensibilidade ao disparate.

Vamos a ver se nos entendemos: haver diferenças entre os homens é natural – eis uma verdade de La Palisse! Pouco natural será que, nisto, se encontrem razões para que os homens não sejam tratados da mesma maneira no ensino ou, já agora, nos seus direitos de cidadania. Note-se que esta não é uma afirmação científica, nem o poderia ser. As razões que nos motivam e nos justificam neste tipo de afirmações são políticas e morais, quase sempre também razões históricas. Não são, de forma alguma, razões científicas. Exorbitar o campo da ciência, ainda por cima com pseudo-informação científica (como o fez Dr. Watson), é, permito-me citar Isaiah Berlin (grande pensador liberal e convicto defensor do pluralismo de crenças e convicções), “sintoma de imaturidade moral e política”, com os consequentes perigos.

Em suma, é realmente um desgosto que se encontre um editorial deste quilate num jornal que é referência em Portugal e que sempre se destacou pela especial atenção que dá à vida e aos feitos da ciência.

Professor Doutor André Barata, docente na Universidade da Beira Interior

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Homólogos americanos e Heidegger em formato MP3

Nos Estados Unidos da América nem tudo o que brilha é ouro, sabemos que existe alguma corrupção em diversas áreas, tal como a Politica, o ambiente, o trabalho etc... Mas é admirável o perfil daquela nação. Um país geograficamente grande erguido por gente que tinha como propósito o dinheiro. emigrantes que sabiam que é no suor que está a "possível" felicidade, o suor é aqui visto como dinheiro/trabalho, daí a felicidade seja possuir muito dinheiro. Talvez por esta razão o "capitalismo" seja tão levado a sério. Mas se é no dinheiro que está a felicidade então é necessário inovar e criar uma matéria que possa ser rentável. Nos E.U.A, mais precisamente no estado da Califórnia são patenteadas mais de 100 "coisas" por dia, dessas 100, 10 conseguem no espaço de um ano tornar-se algo rentável, conseguem criar novas empresas e muito mas mesmo muito lucro. A globalização simplesmente faz o resto. Nos E.U.A existem duas "Silicon Valley", nós em Portugal queremos criar uma Silicon Valley por distrito, que imaginação a nossa, esquecemos-nos que o "conceito Silicon Valley" tem mais de 30 anos, e nós só agora queremos inspirar-nos. A América não deve ser um sonho, isto porque é muito mau da nossa parte criar uma "coisa" já existente. Temos que ter muito cuidado com as imitações... no mínimo olhamos para os americanos como complemento daquilo que podemos ser, ou seja, não devemos fazer o que eles fazem, mas sim procurar aquilo que os levou a fazer. Mas cuidado com o "capitalismo" e a "globalização". Vale a pena ver isto e isto e porque não - imitar?

domingo, 23 de setembro de 2007

Folhas de Outono: Uma queda ubiana

“Já lá vai o tempo em que vivíamos segundo os nosso ideais. As flores irão surgir, o Sol irá aquecer, as folhas cairão e a chuva irá aparecer. As estações do ano seguirão o seu curso normal. A Terra continuará a rodar à mesma velocidade e os planetas do universo não se desviarão da sua rota. No entanto, nem que seja por uma miserável e ridícula parcela de um micro-segundo, o mundo mudou.”



Se existem recordações de uma passagem pela UBI, uma delas é a chegada à sala II.08 onde jovens caloiros, acabados de chegar, transpareciam um olhar atento e reticente sobre o local que os tinha acolhido. Numa outra face era notória uma saudade estonteante por locais em que outrora foram acolhidos. Mas isto é banal: toda a nossa vida é feita de espirais, em constante movimento ascensional, que se vão alargando sucessivamente. É um facto esta chegada mas pouca importância tem ou, pelo menos, não tem tanta assim. È apenas uma recordação sentimental.

Na primeira entrada daquela sala sentiu-se a filosofia no ar onde um louco (perdoe-me: um filósofo. Loucos éramos nós!) gesticulava com forças rítmicas e dinâmicas numa voz soante toda a força da filosofia, ou grande parte dela. A janela dava a conhecer duas coisas: O acto idílico do ser humano na sua comunhão com o saber e, indiferente a tudo isto, as folhas das tílias e dos castanheiros iam amarelecendo suavemente em todos os segundos graças À chegada calma e nostálgica de mais um Outono. A janela nesse momento não era uma janela qualquer. Reflectia o homem quase como um espelho mas, por outro lado, era igualmente o vidro que dava a conhecer o exterior. A janela ainda é testemunha de todos os momentos: quer de loucuras, quer de indiferenças e de diálogos maquinais, sem sentimento.

A filosofia há muito que deixou de ser um amor para ser um meio de subsistência desapaixonada. Mas se deixou de ser também depende de nós voltar a SER: viva-se agora a filosofia na UBI. Não falo exclusivamente para os alunos: Falo para os docentes. Não me faço de vítima mas exijo AMOR. Não exijo por pagar propinas mas exijo pelo que sinto ser a filosofia!

Até podemos não ter uma biblioteca silenciosa, poderemos nem ter boas instalações mas temos lugares que merecem destaque. Se a parada vive as estações rodeada por estudantes onde três tílias existentes dão outra cor no meio da pedra, o famoso Passeio dos Filósofos, junto a outra tília, marcada pelo tempo, representa não só maturidade mas igualmente sentimento.

E já que hoje entra o Outono espero que as tílias não vejam o morrer da filosofia e de todas as loucuras (perdoem-me: paixões) que alguns alunos e docentes vivem (e que todos os outros deveriam viver). Que estas árvores não assistam a nada mais sem amor e sem genuinidade.

A chegada do Outono é o ganhar forças para uma nova Primavera e uma nova vida. O cair das folhas não é apenas um desapego da árvore mas sim a necessidade, intrínseca à árvore, de todos os anos reviver!

Tal qual uma árvore: Vamos amar e reviver.

O Outono representa maioritariamente uma letargia, um recolher de forças para uma nova estação de crescimento. Contudo, mesmo antes de um recolher de forças é um esplendor de beleza onde as folhas tomam cores vivas e acabam por cair de muitas das árvores. Contrariamente, outras árvores continuam verdes e carecem dessa beleza mas são elas quem apresenta o verde em dias cinzentos . Que este Outono seja um Outono diferente na UBI

Idilicamente,

Márcio Meruje

Luta na filosofia ou redução ao absurdo de argumentos - Rolando Almeida

Não são raras as vezes que observamos lutas e disputas entre diversas correntes filosóficas, como se de autênticas rivais se tratassem. A expressão deste aspecto é manifesta nos departamentos das universidades. “Não se deve dar muita confiança aquele porque é analítico”; “Ai, aquele esteve a fazer uns seminários nos Estados Unidos e agora acha que sabe tudo”; “Olha, o tipo passa a vida a citar em alemão e grego, mas é só para se evidenciar, porque não sabe nem alemão, nem grego”, etc.
-Rolando Almeida
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Este comportamento por vezes vai tão longe que se criam verdadeiros ódios de departamento disfarçados de pós modernos versus analíticos. Ora bem, não pretendo aqui mostrar que, afinal de contas, we are the world, we are the children e o que faz falta para animar a malta é a fraternidade e amizade, como se tudo tivesse lugar em tudo e tudo passasse a valer por igual medida. O que está aqui em causa é que a má atitude a ter, tanto em filosofia como em qualquer outro saber, é a de se criar ódios de estimação sem indagar porque é que este ou aquele filósofo, esta ou aquela corrente, não presta. Esta má atitude assenta na base expressa do seguinte modo: ou sou a favor de X, ou sou contra X. Se sou a favor, vou ler tudo sobre X. Se sou contra, então não leio uma linha sequer porque pura e simplesmente não vale a pena. Por outro lado, podemos desde já esquecer a pretensão de nos tornarmos ao mesmo tempo especialistas em filosofia analítica, pós-modernismo, grego e alemão. Este imenso saber só está ao alcance de muito poucos, se é que o está verdadeiramente para alguém. Temos, antes de tudo, de saber viver com as nossas limitações e, sobretudo, ter boas orientações para saber por onde começar. E há dois bons pontos de partida para aprender filosofia:
1- Conhecer um pouco a sua história
2- Saber o que actualmente está na ordem do dia da investigação filosófica.
Para começar, no que respeita ao ponto 1, provavelmente não faz sentido começar a estudar por uma história da filosofia que esteja desactualizada. Uma boa introdução à filosofia, mais ou menos extensa, é um bom ponto de partida para conhecer o desenvolvimento dos principais problemas da filosofia. Um dicionário de filosofia ajuda muito neste primeiro passo. E assim começamos a dar os primeiros passos. Normalmente uma boa história da filosofia, bem organizada, vai directamente aos problemas e autores centrais, indicando bibliografia primária e secundária para, mais tarde, aprofundarmos os temas que mais nos interessam.
Para saber o que mais se investiga actualmente em filosofia, uma boa fonte, é consultar os departamentos de filosofia das melhores universidades do mundo. Só a título de exemplo, se fizermos tal exercício, verificamos que estudar Heidegger ou o pós modernismo em filosofia hoje em dia, ocupa somente 10% de toda a investigação feita, pelo que podemos depreender que os autores pós modernos ou Heidegger, apesar de podermos sofrer de orgasmos intelectuais com estes autores, não são, na verdade, aqueles que mais se aprofunda e investiga em filosofia, nem aqueles que se cita na bibliografia mais relevante actualmente. Não quero com isto dizer que um autor como Gilles Deleuze não seja importante. É-o certamente. Muito mais é Heidegger. Acontece que estes autores são motivo de investigações muito específicas para podermos começar a estudar filosofia por eles. E é um erro pedagógico grave começar a ensinar filosofia pelas investigações mais específicas e particulares, quando temos um enorme campo de investigação noutras áreas que podem mais tarde despertar interesse para um autor ou outro. No caso, o facto destes autores serem motivo de interesses mais específicos, não é porque sejam autores mais difíceis que Descartes, David Hume ou Daniel Dennett. Acontece que possuem menos relevância para o campo de investigação que hoje se faz. Saber o que as grandes e melhores universidades do mundo investigam é um apelo à autoridade, mas se não confiarmos em quem sabe e mais trabalha, que vai ser de nós e do nosso estudo? Como em tudo na vida, também em filosofia, não podemos ter a pretensão que podemos partir do topo, desconhecendo por completo a base. Recorrendo a um pequeno exemplo, não faz grande sentido estar a discutir argumentos de Heidegger sem saber, sequer o que é um Modus Tollens. Podemos pensar que em momento algum da sua obra, Heidegger se referiu ao Modus Tollens, mas acontece que, para discutir argumentos temos de saber as regras da discussão e essas envolvem regras simples como o Modus Tollens. Por esta razão, se nos dispomos a discutir Heidegger desconhecendo a gramática da discussão racional, acabamos por fazê-lo de modo obscuro, ininteligível, muitas das vezes roçando um lado romântico e poético, como se filosofar dependesse única e exclusivamente deste talento que nem todos possuem. Talvez por esta razão, alguns departamentos de filosofia, produzam mais talentos em poesia e teatro do que propriamente em filosofia, imagem lírica, bonita, mas completamente errada da filosofia e que por aí prolifera.
Mas uma coisa podemos ter como certa: alguém que se disponha a discutir a filosofia de Heidegger, tem de ler a obra de Heidegger, pelo menos os textos de referência. Disto ninguém duvida. Do mesmo modo que alguém que queira discutir os argumentos de Peter Singer ou Bertrand Russell, terá de ler os seus livros mais importantes. Caso contrário não saberá do que está a falar e mais não faz do que a expressão de um ódio de estimação qualquer, denunciando uma má relação com o saber. E a relação é má porque se estudou Heidegger só para se evidenciar e não porque é movido pela curiosidade intelectual e está realmente preocupado com os problemas. Quem, recorrendo a mais um exemplo, está interessado em estudar metafísica, pode e deve ler as obras de Heidegger, mas não pode ignorar a obra de Russell. Se o faz passa somente por conhecer uma terça parte do problema. Se não o faz (como eu que não li a maior parte da obra de Heidegger) deverá assumi-lo claramente, mostrando que o seu interesse no estudo da metafísica é, por enquanto, x e não y. Se quiser avançar no estudo, o mais provável é que tenha de ler Heidegger, mais que não seja, para compreender que a obra do autor não é a mais relevante, se assim for.
Mas, independentemente do estudo que possamos fazer em filosofia, a atitude que nunca é de esperar, é a de banalizar os autores e a filosofia, ou pelo menos parte dela, como se estivéssemos a falar de um vizinho que não gostamos somente porque comprou um Mercedes quando nós nem dinheiro para um Renault temos.
As consequências de pensarmos que descobrimos a verdade somente porque lemos uma parte de um dos livros de Platão em Grego, são devastadoras, pelo menos se formos professores e pretendermos ensinar algo do que sabemos. E são devastadoras porque não incentivam os neófitos ao estudo da filosofia. O melhor que pode provocar no jovem aprendiz é maravilhar-se com a sabedoria do professor e pouco mais. Ensinar envolve os nossos afectos, mas creio que os envolve no sentido da maior imparcialidade no que temos a ensinar e no modo como o fazemos. Quem gosta realmente de ensinar, mantém a atitude de ir para além daqueles que são os seus autores preferidos, sempre com o objectivo de revelar ao aluno esse grande universo que é a filosofia, partindo de uma base que seja sustentável para alguém que quer começar a aprender filosofia. Tudo isto, para além dos nossos gostos e ódios de estimação. A filosofia pertence a todos e a todos deve ser ensinada de modo imparcial. E para objectar argumentos podemos sempre recorrer a uma redução ao absurdo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O ensino da filosofia. Por Rui Pedroto

Um semanário noticiava há poucos dias que várias licenciaturas do ensino superior, incluindo a própria licenciatura em Filosofia, iriam ficar impedidas de exigir o exame a esta disciplina como prova de acesso aos seus cursos, devendo optar por exames de outras matérias como a História, Português ou Geografia.Das 357 licenciaturas que exigiam a Filosofia como prova de acesso, todas vão ficar privadas de o fazer por decisão do Ministério da Educação através da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.De há muito que a política educativa em Portugal navega num mar tormentoso a bordo de uma nau sem rumo definido.Subliminarmente, porém, a anafada burocracia do Ministério da Educação, em que nenhum governante parece ter mão, lá vai impondo, ao melhor estilo do moderno “eduquês”, sucessivas reformas e contra-reformas, doses maciças de didáctica e pedagogia e um imparável resvalo para a chinela da tecnocracia.Não tarda e a formação filosófica deixará de fazer parte dos curricula do ensino secundário, quando no ensino superior o número de cursos e de estudantes tem vindo a declinar irreversivelmente.A Filosofia como saber autónomo corre assim o risco de desaparecer do panteão do conhecimento, quer na sua componente formativa geral enquanto disciplina do secundário, quer mesmo enquanto ramo autónomo de formação superior, e os seus cultores remetidos ao estatuto de um escol bizarro e minoritário, que na verdade já o vem sendo na representação social que dele faz o vulgo, e, ao que parece também, alguns dos mais altos comandos da nação.A Portugal tem faltado um modelo educativo coerente e consistente.A educação de outros tempos privilegiava muitas vezes a memorização acrítica dos conhecimentos, considerava a didáctica e a pedagogia artes menores, estabelecia, ainda que só implicitamente, uma rígida hierarquização dos saberes, distinguindo claramente, através da segregação do ensino técnico-profissional, o saber-fazer de vocação mais profissionalizante da preparação mais geral e teorética do ensino secundário tradicional, antecâmara do acesso à universidade.Esse modelo convinha ao espírito obscurantista e elitista da época que olhava de soslaio o questionamento crítico e prolongava no sistema de ensino o imobilismo social do regime, reproduzindo-o e fortalecendo-o.Apesar dos seus múltiplos defeitos essa escola que as gerações com mais de 40 anos ainda conheceram era disciplinadora e exigente, rigorosa na preparação e na progressão dos alunos, cumprindo assim com razoável eficácia o seu principal papel social, o de ensinar e aprender.A escola actual tem vindo a claudicar naquilo que é a sua função primária.A massificação do ensino em todos os graus, sem dúvida desejável e imperiosa face aos preocupantes níveis de analfabetismo e iliteracia, não foi capaz de preservar a qualidade e o rigor.Redundou na facilitação e no nivelamento por baixo, deixou de imperar a disciplina e o respeito pela hierarquia escolar – não a disciplina imposta pelo medo das represálias ou um timorato temor reverencial, mas a disciplina indispensável à aquisição metódica e esforçada de todo o saber.O ensino técnico-profissional, agora em vias de reabilitação, sofreu um rude golpe, gerando fortes desequilíbrios na estrutura do emprego.A docência perdeu prestígio social e o seu magistério atraiu muitos profissionais sem vocação, que as dificuldades do mercado de trabalho e a facilidade de acesso ao emprego público propiciaram.Pede-se hoje ainda aos docentes que, além de educadores e pedagogos, pois ensinar é antes de mais deter sólidos conhecimentos sobre as matérias lectivas e transmiti-los eficazmente, que sejam psicólogos, educadores e assistentes sociais, forçados que se sentem em substituir muitas vezes a família na socialização e inclusão social do aluno, no combate ao abandono e ao insucesso escolar e outras maleitas do corpo social. Ficou e está por fazer um verdadeiro debate sobre o nosso modelo educativo, debate afinal sobre a filosofia da educação.Debatem-se as colocações e a mobilidade dos professores, o estatuto da carreira docente, o encerramento de escolas, a existência ou não de exames neste ou naquele ciclo, matérias que naturalmente importam à gestão do sistema de ensino, porém acessórias face ao debate essencial.O que deve ser a escola, que deve ensinar, que deve ser afinal educar, numa sociedade livre, plural, aberta e democrática.Aquilo que deveria ser uma discussão pública, aberta e participada e lançar os caboucos de um verdadeiro pacto de regime para a educação, é de modo sub-reptício decidido no silêncio dos gabinetes.O verdadeiro debate a empreender é se queremos uma escola funcionalizada e espartilhada, subjugada ao peso da “filosofia espontânea” do materialismo, da tecnocracia e do mais puro economicismo, ou se queremos uma escola que ensine cada um a pensar, a questionar e a questionar-se, a conhecer e a conhecer-se, a formar uma vontade livre e esclarecida, a optar entre o certo e o errado, entre o verdadeiro e o falso, a decidir em consciência o sentido da sua vida e o seu papel no país e no mundo.A morte da filosofia bem pode ser o prenúncio da morte do espírito.No universo das ciências todas são mais úteis, nenhuma porém é mais importante que a Filosofia.Aristóteles tinha razão.

in O primeiro de Janeiro

sábado, 15 de setembro de 2007

Ode aos finalistas 07/08


A universidade da beira interior é uma organização de ensino publica, tal como muitas organizações, é “natural” que existam problemas. Um dos problemas a que todos já nos habituámos é a burocratização, certo é que muita burocratização leva a um estado medíocre da gestão de pessoal e por arrastamento, os alunos. Para facilitar o escoamento das acções e tornar a universidade numa máquina funcional, existem funcionários, que por sua vez têm que funcionar. Nesta máquina, todos têm um lado funcional, e não deveria existir uma hierarquia, mas existe, e como existe, existe outro problema, a que na gestão de recursos humanos se intitula de: -Principio de Peter. Basicamente é o seguinte: “ “Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até seu nível de incompetência”, pois é... se um aluno é excelente, tem-se a ideia que dá um bom professor, contudo em Portugal essa é uma ideia que na maioria dos casos é errada. Os manuais de pedagogia parecem revistas de decoração do seculo passado, ou seja, desactualizadas, fora de moda, sem qualquer tipo de ensino pratico. Em Portugal, tudo é pequeno, não existem movimentos unidos com a função de melhorar, no caso concreto da filosofia, existem muitos intelectuais que se dizem muito intelectuais, mas que na prática não desenvolvem função nenhuma. Se todos estes intelectuais que banalizam a nossa sociedade gostam tanto da filosofia, e como todos sabemos, dominam o mundo da politica e até têm alguma influencia na sociedade, porque é que não actuam? Porque não “lutam” porque aquilo que dizem gostar e amar? Porque não metem uma “cunhinha”? Na filosofia, ou melhor, no mundo destes filósofos, só nos interessa a aniquilação do colega do lado, e passo a explicar: imaginem a actual campanha do PSD, impulsão completa, comem-se uns aos outros, e esquecem-se do fundamental, ou pelo menos, tentam lutar dentro do fundamental, eis o actual mundo da filosofia; se tivermos de conspirar, amarrar ou até destruir, que seja da mesma área, enfim... já somos poucos, o que deveria facilitar as manobras de inserção humanistas, pena é que assim não seja, mas melhores dias viram.
Todos nós temos algo para dar ao mundo, somos heróis, imaginem bem, estamos num curso que nos dá as ferramentas da mudança, estamos à espera de quê? Não somos vistos como terroristas pelo exterior, se bem que no interior todos temos que seguir o mandamento, mas está quase, eis que para muitos está prestes a chegar o fim, muitos de nós somos este ano finalistas, e com isso vamos dar provas à sociedade daquilo que os melhores mestres nos ensinaram. Os bons professores serão sempre recordados e seguidos, e os principais “Peterianos” serão destronados por eles mesmos.
A todos os Finalistas 07/08 boa sorte

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Entrevista para bolsa do Instituto de Filosofia Prática­ ― Imprescindível?


Então, foi assim...!
Interrupção de férias. Tempo de encher o depósito do carro, despedir dos amigos, da família. Por uma causa nobre, ou não fosse ela uma entrevista para um “trabalho”. O stress da viagem, os kilómetros que roubamos à distância, o calor insuportável. Enfim a Covilhã. Felizmente, para desanuviar da situação pouco confortável de entrevistado, reencontram-se colegas e amigos que vêm com o mesmo objectivo. Mas encontram-se também novas caras, pessoas que acabamos por conhecer, com quem partilhamos impressões, medos até. Chega a hora H. Passa a hora H. Este passo está já dado, resta agora saber quem continua a corrida. Que pelo menos seja alguém que tenha, tal como os restantes, partilhado estas emoções, sofrido estes impactos, sinal não só da necessidade e da relevância do diálogo, mas também do sacrifício.
Quando nada vale o esforço, a dedicação ou o empenho, abre-se lugar para o desinteresse.
Perceberam?
Poderá o espirito da genuína filosofia estar ameaçado pelo factor C? Atenção, não nos referimos ao da -competência, é o outro factor, enfim... o espirito da filosofia anda à solta, mas não na Covilhã, raios...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

" TEREMOS AINDA PORTUGAL?"

O título tem um tom provocatório, mas eu vou justificar. Não digo que esteja para breve o nosso fim de país independente e livre. Mas, pelo andar da carruagem, traduzido em factos e sintomas, a doença é grave e pode levar a uma morte evitável. Aliás, já por aí não falta gente a lamentar a restauração de 1640 e a dizer que é um erro teimarmos numa península ibérica dividida. De igual modo, falar-se de identidade nacional e de valores tradicionais faz rir intelectuais da última hora e políticos de ocasião. O espaço nacional parece tornar-se mais lugar de interesses, que de ideais e compromissos. Há notícias publicadas a que devemos prestar atenção. Por exemplo: um terço das empresas portuguesas já é pertença de estrangeiros; 60% dos casais do país têm apenas um filho; vão fechar mais cerca de mil escolas ou de mil e trezentas, como dizem outras fontes; nas provas de língua portuguesa dos alunos do básico, os erros de ortografia não contam; o ensino da história pouco interessa, porque o importante é olhar para a frente e não perder tempo com o passado; a natalidade continua a descer e, por este andar, depressa baterá no fundo; não há nem apoios nem estímulos do Estado para quem quer gerar novas vidas, mas não faltam para quem quiser matar vidas já geradas; a família consistente está de passagem e filhos e pais idosos já não são preocupação a ter em conta, porque mais interessa o sucesso profissional; normas e critérios para fazer novas leis têm de vir da Europa caduca, porque dela vem a luz; a emigração continua, porque a vida cá dentro para quem trabalha é cada vez mais difícil; os que estão fora negam-se a mandar divisas, por não acreditarem na segurança das mesmas; os investigadores mais jovens e de mérito reconhecido saem do país e não reentram, porque não vêem futuro aqui; a classe média vai desaparecer, dizem os técnicos da economia e da sociologia, uma vez que o inevitável é haver só ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; os políticos ocupam-se e divertem-se com coisas de somenos; e já se diz, à boca cheia, que o tempo dos partidos passou, porque, devido às suas contradições, ninguém os toma a sério; a participação cívica do povo é cada vez mais reduzida e mais se manifesta em formas de protesto, porque os seus procuradores oficiais se arvoram, com frequência, em seus donos e donos do país e fazedores de verdades dúbias; programa-se um açaime dourado para os meios de comunicação social; isolam-se as pessoas corajosas e livres, entra-se numa linguagem duvidosa, surgem mais clubes de influência, antecipam-se medidas de satisfação e de benefício pessoal…Não é assim, porventura, que se acelera a morte do país, quer por asfixia consciente, quer por limitação de horizontes de vida?É verdade que muitos destes problemas e de outros existentes podem dispor de várias leituras a cruzar-se na sua apreciação e solução. Mais uma razão para não serem lidos e equacionados apenas por alguns iluminados, mas que se sujeitem ao diálogo das razões e dos sentimentos, porque tudo isto conta na sua apreciação e procura de resposta.Há muitos cidadãos normais, famílias normais, jovens normais. Muita gente viva e não contaminada por este ambiente pouco favorável à esperança. Mas terão todos ainda força para resistir e contrariar um processo doentio, de que não se vê remédio nem controle? Preocupa-me ver gente válida, mas desiludida, a cruzar os braços; povo simples a fechar a boca, quando se lhe dá por favor o que lhe pertence por justiça; jovens à deriva e alienados por interesses e emoções de momento, que lhes cortam as asas de um futuro desejável; o anedótico dos cafés e das tertúlias vazias, a sobrepor-se ao tempo da reflexão e da partilha, necessário e urgente, para salvar o essencial e romper caminhos novos indispensáveis. Se o difícil cede o lugar ao impossível e os braços caem, só ficam favorecidos aqueles a quem interessa um povo alienado ao qual basta pão e futebol…Mas não é o compromisso de todos e a esperança activa que dão alma a um povo?

D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Biblioteca Central: A utopia do sólido silêncio

“São muitas, mas invariavelmente distorcidas, as visões que se costuma ter de uma biblioteca. Ora é lugar sagrado, onde se guardam objectos também sagrados, para desfrute de alguns eleitos. Ora, sob uma outra óptica é apenas uma instituição burocratizada, que serve para consulta e pesquisa, assim como para armazenar bolor e traças. Para muitos poucos, aqueles que a frequentam assiduamente, ela constitui o local de encontro com o prazer de ler, conhecer e informar-se.”
O que é afinal uma biblioteca?

Pedir silêncio na biblioteca será uma reivindicação dos quase 900 € que pago de propinas na UBI ou simplesmente uma exigência pelo local que frequento?

A nossa tão querida biblioteca central está inundada por um vírus que contagia todo o Ser que resolve nela entrar. Desde os funcionários até aos meros utilizadores de um computador todos eles estão contagiados por esse vírus.
Esse vírus, o banzé sonoro que de manhã à noite é quase sempre constante, sufoca qualquer Ser que pretenda realmente tirar partido daquelas belíssimas instalações (que de práticas pouco têm…)

Poder-se-iam propor uma data de medidas que ajudariam a solucionar este problema, a saber: que as empregadas da limpeza parem de falar da comida do dia anterior (ou sabe-se lá mais o quê…) ou que falem mais baixo; que as meninas se descalcem na entrada do edifício (já repararam no magnifica melodia que 3 pessoas fazem a descer as escadas para o piso -1?), que os cibernéticos (ou vicio-néticos) se comportem devidamente no local onde estão, relembrar que namorar é na rua (e não em cima de uma mesa de biblioteca), trabalhos em grupo é em salas que estão construídas para o efeito (…). E acima de tudo: POR FAVOR: SE QUEREM CONVERSAR RESPEITEM E VÃO ATÉ AO BAR!!!
Já que mudar tão belas instalações é pouco sensato (que tanto dinheiro custou a todos nós… nem me lembrem os baldes de agua nos corredores, prateleiras, e afins!) proponho que se tentem reformar as mentalidades dos utilizadores (e funcionários) de tal instituição para que, todos juntos, tenhamos um maior rendimento do espaço que utilizamos e de modo a todos ficarmos satisfeitos.


Mandem um grito para pedir silêncio…É grito menos grito e no meio de tantos gritos é o único grito com razão de existir!!!...E assim fazemo-nos ouvir!


Cumprimentos desde utilizador da Biblioteca Central,
Márcio Meruje

P.S.- A “gota de agua” para este curto texto foi o facto de passar uma tarde na biblioteca, que por sinal está a ser pintada, e onde os trabalhadores com muita devoção pintavam as paredes com bonitas melodias de “assobio” e os olhares ficavam estatelados na primeira “gaja boa” que passava! … Fantástico não é?
Uma nota ao arquitecto da B.C.: Lembre-se dos pormenores das escadas nos futuros. Está visto que o edifício é muito «art-deco» mas é convidativo ao barulho. A começar pelas escadas…

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

EXIGE-SE FRONTALIDADE

Não será também esta, um dos requisitos daqueles que julgam amar a sabedoria?

(…) “ Na alma, a ordem e a harmonia chamam-se disciplina e lei, as quais fazem os bons cidadãos e as pessoas honestas: é isto que constitui a justiça e a sabedoria. (…)” - Sócrates 504 d
In PLATÃO, Górgias.

(…) “Ora, o que se alimenta de leite é incapaz de entender a doutrina da justiça pois é uma criança. A comida sólida, porém, é para os adultos, para os que têm já exercitadas, pela prática, as faculdades de distinguir o bem do mal.”
In Carta aos Hebreus (5,13).

Ao iniciar este texto com estes excertos, não julguem que o que lhe segue têm a mesma qualidade, por mim as anteriores palavras seriam mensagem suficiente. Contudo o conjunto de ideias soltas pontuadas que se seguem é, permitam-me, um descanso, uma almofada tranquila, uma miragem de desafogo, onde posso sossegar por breves instantes o meu espírito, sossego momentâneo, espero que se discuta aqui, que me refutem se o acharem necessário e com frontalidade, sem anonimatos, nem com nomes que de lá provêm.
Este texto dirijo a mim inicialmente, e agora perguntam, mas porque raio (de Zeus) se lembra este sujeito de o publicar? Ora, torno-o público aqui neste espaço, por frontalidade como o titulo o obriga, devo por a discussão isto que me perturba, para que juntos me iluminem, e me ajudem a perceber no fim de contas, onde estão ideais, que durante estes anos todos devíamos partilhar, pois estando na universidade existe essa obrigação, mas que é sublinhada, pelo facto de estarmos num curso que prima pela certeza de vectores tão necessários como a verdade, a justiça, a lealdade e um tão englobante, a amizade. Conseguiremos perceber caros amigos onde se perderam os anteriores valores? Prometo que paro com esta lenga-lenga de “desculpem por estar aqui”, mas permitam-me mais este instante, mais sério, não quero com este desafogar engraxar os sapatos de ninguém, que para isso existem os grachas de caixa azul por ai espalhados; nem ferir outros e ainda muito menos, desafogando-me, estar a criar fogo onde não o à, isto tudo porque, acredito ter-se cometido uma grande desonestidade, e com frontalidade dizê-lo e gritá-lo: DESONESTIDADE.
Esta injustiça ou se lhe quiserem chamar: omissão temporária de verdade, que foi cometida, não por mim nem a mim devo confessar, porque é que me meto? Sem cinismos ingénuos como diria Nietzsche, perturba-me o sono, é certo que isto resolvia-o com um tranquilizante ou lda., mas e o espírito acalmo-o com algum medicamento? Não amigos, resolve-se com o título deste pensamento: frontalidade, esta não pode ser acusada de justiceira, nem de ambiciosa, ou pode?
A universidade pequena e rodeada de belas montanhas, os pássaros cantam o que querem, e uns deixando escapar o que de outros ouviram, cantaram uma triste música, de que numa das salas de aula, da parada empedrada, teria sido feita a um MESTRE uma ou outra reclamação de um outro MESTRE. Gostaram da frontalidade, eu não!
Não me cabe aqui criticar os pássaros, porque esses têm asas e voam, ao contrário da galinha, e o mais certo era marimbarem-se para mim, nem muito menos criticar os queixosos, e já agora o que faltava era criticar os MESTRES, mas sabem porquê? Não se critica distante de quem esta visa, regra básica da amizade. Mas posso falar em frontalidade e com essa amizade chamar a atenção, não com “ó pss!” mas, salva ousadia, com: um não nos lixem! Percebem, não nos levem os bons, deixem-nos vislumbrar a Basílica de São Petronio (sexta Igreja maior do Mundo) na Praça Maior de Bolonha, deixem-nos sentir a Praça e Fonte de Neptuno, é este o inicio para que muitos sigam, para que muitos nos deixem viajar, praticar de vez, e partir de vez da prelecção cerimonial, é caso para dizer não nos roubem o que levou anos a conquistar e agora finalmente está em prática. Temos todos de ser pacientes, eu como primeiro desta lista, mas sejamos crentes que irá dar certo, e para além disto, tenhamos a coragem, de interrogar se não poderia se fazer desta ou daquela forma, frontalmente, unindo experiências e vontades, porque para ir à Torre dos Asinelli, há mil e um caminhos. Agora, o MESTRE nunca os fechou, não terão alguns os encerrado? Julgo que não, sabem porquê, estes MESTRES que vos falo estão connosco e por nós, estejamos também com eles, juntos conseguiremos atingir as competências que nos são exigidas.
Amigos, com toda a frontalidade estarei ao vosso dispor para uma luta de palavras e para a frontal discussão, sou Nuno Reis, aquele que por vós e por nós em sede própria sonhou com o que muitos tentam destruir sem frontalidade.
Abraços, espero os vossos comentários.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A febre dos caloiros


É vê-los irrequietos de um lado para o outro, tal como baratas tontas. Será que houve uma tragédia mundial? Será que o actual governo foi destronado? Não meus amigos, é a febre do caloiro. Deambulando pela cidade com olhares submissos a capas negras, os novos colegas académicos recebem as ordens iniciáticas. Já dizia o velho ditado : "quem é conduzido por um cego acaba por cair num buraco". E os caloiros todos enfileirados sentem-se alegres e contentes por mais um cerveja despejada. É o ano de desbunda, é o ano para queimar o cérebro, é o ano de folia e de pagode. Caloiros não se deixem levar por mestres e mestras que só pensam em sexo, drogas e rock 'n roll. Ah, qual droga ou rock?! Ah que saudades daquele tempo onde os jovens faziam igual folia por mais uma verdade aprendida. Mas a verdade da praxe é a praxadela, não concordam, não os veêm aí "as capas negras" como pastores que conduzem o seu gado?! Bom...Falando a sério, para que é que serve a praxe: para iniciar os estudantes no ritmo do seu curso, da sua nova universidade e da sua nova terra e das suas gentes. A tradição académica perdeu-se no labirinto sombrio das mentes caóticas de uma mediocridade elevada ao poder. Irmãos, sejam genuinos dentro da repetibilidade infinita de cópias ambulantes que caminham ensonadas pelos antros nocturnos covilhanenses. É a frebe do caloiro! Vivam os caloiros e as caloiras, vivam os mestres, grão-mestres, veteranestres e todas essas hierarquias da treta que não são um meio para os caloiros crescerem, mas sim um fim em si mesmas. Caloiros sejam praxados, mas não enrabados!

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

(de)mente


Mais um ano que está ai. A rotina repete-se tal como um eterno retorno onde até o mais idêntico se torna diferente. O segredo está na massa, hummm...!!! Estamos a brincar. Mas a falar a sério, o segredo está na mundividência. Já o dizia o nosso caro amigo Platão. Amigos!! convertam o vosso olhar!!. O mundo inteligivel é o mundo sensível, não há qualquer dualismo. Mas o que é o mundo? Será que existe fechado, com um limite? Ou é a possibilidadde infinita de se reinventar a si próprio através da nossa acção numa dialética permanente, transcendente ou imanente e outros tantos entes que são o meio para atingir o ser e a verdade. Pensem, mas pensem não se limitem a passar imagens mentais fornecidas por vivências que não são vossas. Vivam, pensem, ajam, porém coerentemente com o caos incoerente que nos aparece neste mundo de ilusão. Ajam com paz e concôrdia.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Ser de esquerda ou de direita hoje


Depois do tempo em que Abril floriu, quase toda a gente se dizia de esquerda. Por convicção, por oportunismo ou, simplesmente, porque estava na moda o ideal de esquerda. Contudo, os modismos passam e a realidade sobressai com a sedimentação do tempo.
Nos idos de 1974/75, ninguém ousava afirmar «eu sou de direita», isso era arriscado. Nem aqueles que hoje orgulhosamente se assumem como tal tinham a coragem de o dizer. Era perigoso para quem o afirmasse. Ser de direita significava ser fascista, reaccionário, capitalista ou lacaio do capitalismo, dizia-se. Com efeito, ser de direita era estar contra a classe operária, o proletariado, ou negar a sua própria classe. E eis que toda a gente, ou quase, vestia os adornos do operário, figura mitificada na época, que era considerado, muitas vezes sem saber porquê, como progressista, defensor do povo... E então, era ver alguns daqueles que hoje se assume pomposamente de direita, vestir os tais adornos, símbolos da esquerda da época, tais como: cabelo comprido, barba crescida e desgrenhada, palavrão pronto na boca, etc., etc.
Os tempos mudam, os símbolos políticos também. No entanto, ainda temos referências sérias quer de direita quer de esquerda. Que referências? A marca de mulheres e de homens que sempre afirmaram as suas convicções político-sociais, que não balançaram conforme as oportunidades, que mantiveram, embora evoluindo – que o tempo a isso obriga – nos princípios que enformam as suas convicções.
Aprendemos que ser de esquerda é defender o interesse do geral, é ser solidário, é estar ao lado daqueles que menos podem, é lutar contra as desigualdades entre pessoas e povos, é eliminar a repressão e a opressão, é defender a liberdade e criar as condições para a existência de um mundo mais justo e solidário.
E ser de direita? Seria menos complicado dizer que é o contrário do que dissemos no parágrafo anterior. Mas não. Hoje, está na moda a afirmação de direita. Veja-se como alguns políticos, hoje em moda, se afirmam orgulhosamente de direita. E mais, repare-se como, quando se dizem de direita, estão a afirmar que a esquerda é uma peste, é o mal. Aliás, os direitistas são hábeis maniqueístas. Ou seja, os homens e mulheres que se afirmam de direita, especialmente a direita radical, tal como certa esquerda em 1975, tem dificuldade em reconhecer e aceitar a outra parte. E então, quando falam dos princípios de esquerda fazem-no com desdém.
Que valores defende a direita, hoje? Analise-se os seus discursos, que lá está tudo: a Pátria, o trabalho, a autoridade, o respeito pelos superiores valores do Estado, o dinheiro, o beija-mão, a reverência e o endeusamento, de entre outras ideias similares.
Toda a gente defende a Pátria, mas quando se fala tanto em patriotismo, que se esconde? O trabalho é a única fonte de riqueza, mas o seu a seu dono. Porque para que alguns sejam muito ricos, muitos estão muito pobres. A direita tem dificuldade em redistribuir a mais valia. Autoridade sim, mas sem autoritarismos. A direita faz apelos constantes à autoridade do Estado, querendo com isso indicar a sua autoridade. A autoridade que defendem é a autoridade imposta, não a conquistada pelo exemplo. Com efeito, a direita fala como se estivesse acima da maralha. Todo o patriota respeita o Estado, que somos todos nós, mas será que o Estado que a direita propala respeita o cidadão comum? Toda a gente precisa de dinheiro. Sem esse nobre metal a nossa vida é um inferno. Mas certa direita só vê euros, sonha com eles, quer controlá-los e deixar no mealheiro umas migalhas, uns cêntimos para o Zé encontrado pela direita em Coimbra, aquando da campanha eleitoral para as legislativas de 2002, lembra-se? A direita folclórica gosta muito do beija-mão, gosta que lhe tirem o chapéu, gosta da reverência e do endeusamento. Pois que faça bom proveito.
Como apontamento final, direi que neste mundo da globalização, onde tudo é tão rápido e fluído, onde a generosidade não abunda, onde a concorrência não olha a meios, onde se procura aniquilar o outro e impor a vontade própria, é difícil apreender claramente onde está o traço que separa o homem de esquerda do homem de direita. E porquê? Porque vemos homens de esquerda com práticas que habitualmente são atribuídas à direita, e homens de direita com atitudes normalmente atribuídas à esquerda. O exemplo depende da oportunidade. É tal a miscelânea de comportamentos humanos neste início de século, que o que devemos relevar são as boas práticas, acções e atitudes de todos os homens e mulheres, e repudiar o contrário, para que a pessoa humana possa contribuir para um mundo mais fraterno, generoso, solidário e livre, como quis Abril que o Zeca Afonso cantou. (António Pinela, Reflexões, Março de 2003).

terça-feira, 4 de julho de 2006

Filosofia, investigação e ensino na universidade

"...Nas universidades onde se faz verdadeira investigação poderia pensar-se que haveria uma desculpa para desprezar a qualidade do ensino, que é encarado apenas como uma actividade sem prestígio que consome precioso tempo, dolorosamente roubado à prestigiante investigação. Mas nem nestas universidades é defensável tal desprezo — e portanto ainda menos nas outras. O desprezo pelo ensino não é defensável porque sem ensino de qualidade acabará por não haver investigação de qualidade. A relação entre a qualidade do ensino e a da investigação é directa. Sem um ensino de qualidade, os estudantes chegam mal formados ou, o que é muito pior, deformados, à pós-graduação e ao doutoramento. Esta é a ideia óbvia que é preciso defender, explicar e reafirmar..."