segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Ser Filósofo


O produto do filósofo é a sua vida e a sua vida é a sua obra.
O filósofo tem um modo de viver que surge com a existência, inquietando o seu intelecto para o progresso, colocando-se em si mesmo como participante e interlocutor da humanidade.
O filósofo tem o papel de esclarecer e orientar saudavelmente o caos da cultura, marcar um caminho e solucionar os problemas que requerem um tratamento cultural, definindo o seu caminho.
O filósofo é um duplo dos verdadeiros actores do drama social, especialista, perigoso em duelos entre ente e razão.
O filósofo está em melhores condições para compreender a vida donde ela surge e à qual deve ajudar a clarificar-se, porque todos nós estamos submnetidos à necessidade de procurar a verdade da existência humana. Tal e qual a uma aventura ir até aos riscos, estremecidos, estéticos, emocionantes da existência.
O filósofo é uma personagem que sabe esperar o cadáver do seu inimigo, porque é um homem hábil, prático, satisfeito e seguro de si próprio.
O filósofo é assim entendido como um canalizador da história, um mecânico do grande curso do mundo que espicaça a consciência satisfeita para ela que não se esconda e aposte no risco e na vulnerabilidade, porque a filosofia é mais um modo de atender que de entender e ser consciente que é mais interessante aquilo que nos surpreende que aquilo que nos dá razão; fazer menos barulho e cultivar o silêncio atento; demorar as respostas e evitar a precipitação; ter flexibilidade mental e praticar essa ginástica do espírito que consiste em ouvir; desconfiar e não sentir-se incomodado perante perguntas a que se sabe responder mas que não pode rejeitar; aprender a tirar proveito de si próprio desconcerto, crescer em capacidade de admiração, proporcionalmente à estranheza do admirado e deixar-se invadir por uma incorrigível curiosidade.

Em suma: permanecer sempre vulnerável perante a realidade.

3 comentários:

Anónimo disse...

lindo...

Melhor é impossivel!

Anónimo disse...

Não gosto daquela frase do inimigo. Um filósofo não tem inimigos, está aberto a toda a gente e pronto a dar a outra face.

Anónimo disse...

Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância." (Confúcio)